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Tipos de investimentos em renda fixa

Tipos de investimentos em renda fixa

A renda fixa é uma das modalidades de investimentos disponíveis no mercado financeiro. Muitas vezes, inclusive, é por ela que os investidores iniciantes dão seus primeiros passos, pois seu funcionamento costuma ser mais simples de compreender.

Além disso, é a renda fixa que costuma apresentar uma segurança maior em relação à previsibilidade dos rendimentos. Isso significa que, quem busca deixar o seu dinheiro seguro e não enfrentar perdas ao investir, tende a procurar os investimentos em renda fixa.

Mas você sabe quais são os tipos de investimentos em renda fixa e como eles funcionam? Então que tal aprender mais sobre eles?

As informações que reunimos neste post vão lhe ajudar a conhecer as principais informações para começar fazer aplicações desse tipo com muito mais tranquilidade. Vamos lá?

O que é renda fixa?

Vamos começar conceituando a renda fixa. Ela é um tipo de investimento no qual você oferece seu dinheiro para uma instituição que pagará juros por ele. Desse modo, o funcionamento é semelhante a quando alguém pede um empréstimo, por exemplo.

A diferença é que, nesse caso, você que está recebendo os juros, e não pagando eles ao banco – embora os percentuais sejam bastante distintos. Nada mal, certo?

Como em todo empréstimo, as condições para o retorno do dinheiro são combinadas previamente. Então, quem investe em renda fixa sabe o tempo de duração do investimento e a lógica de rentabilidade dele — que pode ser a uma taxa fixa ou acompanhar um índice econômico.

São essas características que fazem da renda fixa uma opção atrativa para investidores conservadores. Ou seja, aqueles que não querem correr riscos com o seu dinheiro. Afinal, a combinação prévia das condições de rendimento é um privilégio dessa categoria.

Na renda variável, por exemplo, não acontece desse modo. Logo, o investidor não conta com tanta segurança e estabilidade. Por isso, é importante conhecer as características de cada modalidade de investimento para fazer escolhas de acordo com o seu perfil e sua tolerância a riscos.

Como funciona a rentabilidade da renda fixa?

Nós dissemos anteriormente que os rendimentos das aplicações podem ter uma taxa pré-estabelecida ou acompanhar um índice econômico. Vale a pena entender um pouco mais sobre essa diferenciação.

Confira os principais tipos de rendimentos nessa modalidade.

Pré-fixado

Investimentos do tipo pré-fixado apresentam uma determinada taxa de juros desde o começo e ela não muda ao longo do tempo. Essa taxa pode ser, por exemplo, 5%, 6% ou 7% ao ano e assim por diante, para mais ou para menos – a depender do produto oferecido.

Encontrar aplicações pré-fixadas significa que você pode calcular agora o que receberá no final do vencimento. Se a taxa de juros é de 5% ao ano, basta multiplicar esse valor pelo prazo do investimento e pela quantia que ficará investida.

Pós-fixado

As taxas pós-fixadas não permitem o cálculo que explicamos no tópico anterior. Isso porque elas acompanham um índice econômico, que pode variar ao longo do tempo.

Assim, ainda que esse índice esteja hoje a um valor de 5%, por exemplo, não há garantias de que se manterá o mesmo nos próximos meses ou anos.

Diante disso, você pode se perguntar se a renda fixa tem mesmo a previsibilidade que citamos anteriormente. Na verdade, o rendimento pós-fixado não se opõe a essa característica. Ele continua previsível, pois o investidor conhece a lógica de sua aplicação.

Ou seja, ele sabe desde o início qual é o índice que o investimento acompanha. Além disso, a previsibilidade também se mantém porque a renda fixa está atrelada a índices econômicos que passam por mudanças graduais.

Vamos pensar na taxa Selic. É fato que ela diminuiu bastante nos últimos anos, mas a variação não foi inesperada ou instantânea. Pelo contrário, foram movimentos graduais que a trouxeram ao patamar atual. E assim costuma ocorrer com outros indexadores da renda fixa.

Híbrido

É possível encontrar, ainda, outro tipo de rentabilidade na renda fixa: a taxa híbrida. Ela é chamada dessa forma porque combina as duas formas que citamos até aqui.

Isto é, investimentos com essa lógica de rendimento acompanham determinado índice e oferecem um valor pré-fixado.

Um grande exemplo disso é o Tesouro IPCA. Ele acompanha a inflação, mas não rende apenas isso. Atrelada à taxa IPCA, esse título público sempre apresenta uma rentabilidade fixa (2% ao ano, 3,5% ao ano, etc).

Com isso, você não consegue calcular exatamente seu retorno no dia do vencimento. Entretanto, sabe que a quantia aplicada estará rendendo sempre um percentual acima da inflação para o período.

Qual é a segurança da renda fixa?

É muito comum ouvir falar que os rendimentos da renda fixa não são tão altos, principalmente em cenários de queda da taxa de juros da economia — como o que o Brasil está passando atualmente.

Esse limite na rentabilidade acontece porque a renda fixa reúne os investimentos mais seguros. Como a lógica do mercado financeiro é que há uma relação direta entre risco e retorno, as aplicações desse tipo, em geral, oferecem taxas de juros menores (de acordo com a segurança).

Por exemplo, os títulos públicos são os investimentos de menor risco, pois a garantia deles é o próprio Governo Federal — a instituição econômica mais sólida de um país. Com isso, a rentabilidade encontrada no Tesouro Direto costuma ficar abaixo dos títulos de renda fixa privada.

Esses títulos privados são emitidos por bancos e instituições financeiras. Normalmente, quanto menores essas instituições são, melhores serão as taxas de juros oferecidas aos investidores. Isso porque elas precisam atrair as pessoas para seus produtos.

Outro fator que altera a rentabilidade é o prazo do investimento. Em geral, quanto mais tempo o dinheiro fica investido, melhores tendem a ser os retornos do investimento.

Em resumo, a rentabilidade pode não ser o forte dos investimentos de renda fixa, já que o principal fator é a segurança que eles proporcionam. Ainda assim, eles são ótimas opções para quem quer obter juros com suas reservas financeiras sem colocá-las em risco.

Fundo Garantidor de Crédito

Ainda falando em segurança, quem investe em renda fixa se depara, em algum momento, com a sigla FGC. O Fundo Garantidor de Crédito é uma segurança a mais para os investidores em algumas aplicações relacionadas aos títulos privados.

Na prática, ele funciona como uma espécie de seguro para ressarcir os investidores em caso de falência do banco ou instituição financeira que ofertou os títulos. Investidores podem contar com esse ressarcimento no valor de até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira. Além disso, há um limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.

É claro que ninguém investe esperando que aconteça algum problema. Mas, nesse caso, você sabe que pode contar com esse fator de segurança a mais quando aplica em alguns títulos da renda fixa.

Quais são os investimentos em renda fixa?

Agora que você está aprendendo sobre as características da renda fixa já viu que não se trata de um investimento só, mas de várias opções reunidas nesse grupo. Por isso, vale a pena conhecer um pouco mais sobre as principais aplicações.

Títulos do Tesouro

O Tesouro Direto provavelmente é o grupo de investimentos mais conhecido da renda fixa — principalmente quando falamos do Tesouro Selic, que se tornou um verdadeiro substituto da poupança para muitos brasileiros.

Mas, como você leu, ele não é um investimento só. Na verdade, o Tesouro Direto é uma plataforma que organiza diversas aplicações. Trata-se do nome dado ao programa lançado pelo Governo Federal para oferecer seus títulos públicos.

Nele é possível encontrar além do Tesouro Selic, aplicações pré-fixadas e Tesouros IPCA. Os prazos e rentabilidades dos títulos podem ser bastante diversos e o valor mínimo de investimento é democrático: em alguns, é possível começar com quantias em torno de R$ 30 reais.

Certificado de Depósito Bancário

O CDB é um investimento popular na renda fixa privada. Muitos bancos oferecem essa aplicação com condições próximas às do Tesouro Selic para também se tornarem atrativos a quem quer deixar a poupança em busca de maiores rentabilidades.

Quem investe em um CDB está emprestando o dinheiro a determinado banco, que pode utilizá-lo para emprestar aos seus clientes. No final do prazo estipulado — ou antes, se você pedir e se for possível o resgate antecipado, o valor volta para o investidor com juros.

A rentabilidade dessa aplicação pode ser bastante variada, a depender do que cada banco oferece. Os prazos também costumam variar muito. Vale destacar também que os CDBs são cobertos pelo FGC.

Letras de Crédito

As Letras de Crédito podem estar ligadas ao ramo imobiliário (LCI) ou ao agronegócio (LCA). O nome faz alusão ao setor em que o banco utilizará o dinheiro investido.

Mas isso não significa que você está investindo diretamente nesses setores. O funcionamento das Letras de Crédito acontece como todas as outras aplicações da renda fixa: você empresta seu dinheiro para o banco e ele lhe devolve com juros.

Ou seja, o uso que o banco dará ao dinheiro não afeta diretamente o investidor. Exceto por um detalhe: a relação com os mercados imobiliário e agronegócio fazem com que as letras de crédito sejam isentas de imposto de renda.

Isso porque essas áreas são consideradas prioritárias no Brasil. Então, a isenção é vista como uma maneira de incentivar os investimentos desse tipo. Assim como os CDBs, é possível encontrar LCIs e LCAs com condições variadas de prazo e rentabilidade.

Letras de Câmbio

As Letras de Câmbio são mais um tipo de investimento na renda fixa. Elas são emitidas por sociedades de crédito, investimento e financiamento — mais conhecidas como financeiras. Essas instituições administram dívidas e esses títulos estão relacionados a isso.

Entretanto, não precisa se preocupar. O retorno do seu investimento não está atrelado ao fato de um devedor pagar a dívida dele junto à financeira. A devolução da quantia que você investiu é responsabilidade da instituição e acontece normalmente, como nos demais títulos que comentamos.

As Letras de Câmbio também são cobertas pelo FGC. Uma desvantagem delas é que, geralmente, exigem um capital mais alto para investimento inicial. Por isso, podem ser de difícil acesso aos pequenos investidores.

Letra Financeira

Outra aplicação da renda fixa é a letra financeira. Ela é menos conhecida do que as outras opções. Em grande parte por conta de exigir aportes mínimos bem mais altos. Assim, ela está acessível aos investidores de maior capital.

Além disso, a Letra Financeira é um dos poucos investimentos de renda fixa que não tem cobertura do FGC. O que significa que o investidor fica mais exposto a riscos. Por isso, o cuidado em procurar uma instituição sólida deve ser ainda maior.

Debêntures

As debêntures são mais um exemplo de investimento de renda fixa que não têm a cobertura do FGC. Elas também funcionam um pouco diferente dos demais, porque o empréstimo que o investidor faz não é para um banco ou financeira, mas para uma empresa – o que pode aumentar o risco do investimento.

Com isso, você empresta seu dinheiro diretamente para que uma companhia realize suas atividades. As debêntures podem ser comuns ou incentivadas. Esse segundo tipo diz respeito aos investimentos que não têm cobrança de Imposto de Renda — pois o dinheiro é usado em projetos de infraestrutura no país.

Como escolher entre as aplicações de renda fixa?

Tamanha diversidade de investimentos geram muitas informações para você digerir, certo? Diante disso, é comum que as pessoas fiquem em dúvida sobre como escolher entre as aplicações.

Afinal, o que precisa ser avaliado nessa decisão? Conheça os principais aspectos.

Valor mínimo de aplicação

Esse é um dos fatores mais relevantes na hora de investir. Isso porque não adianta escolher aplicações com a rentabilidade e o prazo desejados se, na hora de investir o dinheiro, você percebe que não tem o suficiente.

Portanto, veja o valor mínimo de aplicação como um dos primeiros dados para serem analisados. Caso você encontre oportunidades vantajosas com valores mais altos, uma opção é guardar a quantia por um tempo em outra aplicação até juntar o suficiente.

Prazo

Outro elemento fundamental na avaliação dos investimentos é o prazo. Refletir sobre ele evita que o investidor enfrente dores de cabeça e tenha prejuízos. Do contrário, há o risco de aplicar seu dinheiro em um produto com vencimento distante e precisar da quantia antes.

Em muitos casos, pedir resgate antecipado significa perder seus rendimentos. E, em outras situações, pode simplesmente não ser possível resgatá-lo antecipadamente. Então vale a pena se organizar bem para escolher seus investimentos de acordo com os prazos que possui para cada objetivo financeiro.

Liquidez

A liquidez pode estar relacionada ao prazo, mas os termos não são sinônimos. Ela representa a rapidez com que você pode ter acesso ao seu dinheiro sem perdas. Ou seja, uma aplicação que autoriza resgate antecipado, mas gera perdas de rendimento, tem baixa liquidez.

Encontrar investimentos com alta liquidez tem especial importância quando se trata de reservas de curto prazo, como a reserva de emergência. O investidor pode precisar desse dinheiro a qualquer momento, logo, é preciso deixá-lo em uma opção que tenha resgate facilitado e que seja vantajoso — como o Tesouro Selic.

Rentabilidade

Por fim, é importante ficar atento também à rentabilidade oferecida em cada investimento. Ela pode ser muito diferente entre aplicações parecidas. Por isso, compare várias alternativas antes de decidir.

Mas não foque apenas na rentabilidade. Como você viu neste post, maiores rentabilidades podem vir acompanhadas de riscos maiores. Sendo assim, a dica é considerar todos os aspectos juntos para encontrar as aplicações mais interessantes.

Vale lembrar que todos os seus investimentos em renda fixa devem ser guiados pelo seu perfil de investidor e seus objetivos. Antes de escolher, pense no que você quer para aquele dinheiro e em que prazo ele será necessário novamente na sua conta. Esses requisitos são essenciais para tomar boas decisões.

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